Author Archives: Aline Pessoa

E-commerce: Oásis ou miragem?

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E-commerce: Oásis ou miragem?

Os conceitos de miragem e oásis são muito abordados em narrativas de viajantes do deserto. As duas ideias representam opostos entre a salvação e desolação de um vagante das areais. Para os empreendedores de primeira viagem, o e-commerce pode se transformar em um oásis confortável ou em uma terrível miragem, isso vai depender de como será desenvolvido e de quanto de investimento será feito no processo.

Algumas fontes fazem uma “propaganda enganosa” ou transmitem falsos conceitos sobre a criação de um e-commerce. Passam a imagem de que a tarefa é simples e que é fácil de ganhar dinheiro. Dizem ainda que você pode trabalhar sem sair de casa e precisa investir apenas em uma boa plataforma, a primeira armadilha de fato.

Infelizmente não é só a plataforma não. O investimento em uma plataforma deve corresponder a 20% do total dos custos e não ser o total dos custos como dizem. E se você quer um bom conselho para um negócio de sucesso, te digo em primeira mão: não abra um e-commerce!

Há muitas razões para você não investir em um e-commerce e você precisa saber que o plano de criar um grande negócio milionário na internet, aquele negócio saído do zero, que irá mudar a vida para sempre e será suficiente para sustentá-lo, bom, ele pode até dar certo se você tiver disponível R$ 1 milhão para investir no primeiro ano. Porém, se você não tem R$1 milhão, então não vai dar certo. Você fez as contas de quanto custa no ano para anunciar seu e-commerce no Google por exemplo? Publicidade, propaganda, marketing é fundamental para o sucesso de um e-commerce! Pois de que adianta nada você ter um grande negócio e ninguém saber disso.

E aí vem aquele empreendedor e diz: “Eu já tenho um negócio físico de sucesso. Quero apenas expandir online, ter mais um canal de vendas.” Bom, neste caso, ele deve ter em mente que, mesmo assim, será necessário um grande investimento. Ele precisará de R$ 500 mil para o primeiro ano. Se você não tem R$ 500 mil, não abra um e-commerce para ter mais um canal. Não vai dar certo!

E aí vem o terceiro perfil, aquelas pessoas buscam no e-commerce apenas um auxílio na renda mensal, o famoso “tirar uma graninha extra”. Para estes, sim o custo é menor, mas o retorno também será. Só que aqui vale um alerta. Este empreendedor, se não cuidar bem do processo, descobrirá que o barato pode sair bem caro. Existe um leque de custos que devem ser levados em consideração em uma loja online, que são escondidos dos empreendedores ou são colocados em terceiro plano, porém, são de extrema importância e podem determinar o sucesso ou fracasso de um e-commerce.

Inicialmente, se você pretende oferecer um produto ao seu cliente, você tem que oferecer uma maneira de que ele possa pagar por esta compra. Atualmente, existe uma série de plataformas que podem ser inseridas como meio de pagamento online. Com o avanço da tecnologia é possível contar com ferramentas que cuidam de todas as etapas da cobrança: captura, processamento, acompanhamento e confirmação. Porém você terá que pagar por isso e certificar-se que a plataforma de e-commerce que escolheu é compatível com o sistema de cobrança. Como em todas as etapas é necessário fazer contas. As taxas praticadas pelas empresas levam em conta modelos de negócios diferentes. A comodidade pode custar caro e sacrificar sua margem. Além disso é importante lembrar que vendas online estão sujeitas a fraude. É fundamental contar com um parceiro para identificar os possíveis fraudadores e evitar prejuízos.

Outro fator que é um “calcanhar de Aquiles” para os e-commerces é a logística.  Você sabia que o correio não entrega para algumas áreas consideradas “áreas de risco” do país? Alguns lugares não recebem entregas devido à alta taxa de assaltos nessas regiões. Isso pode gerar uma demora na entrega ou a não-entrega, fazendo com o cliente coloque o seu e-commerce em sites como Reclame AQUI.

Ainda na logística, tem aquele cliente que diz que recebeu o produto com problemas. Bom, você como empresário compra produtos lacrados e não pode abrir para conferir se está tudo em ordem. E além disso, o produto pode quebrar no transporte. Digamos que você ache que é mentira do cliente. Só que ele está em Manaus e sua empresa em São Paulo. Se for executar um processo na justiça, precisará fazer no local do morador. E quanto é que custa mesmo para eleger um advogado, pagar as custas suas e dele para recuperar o valor do produto que vendeu? Então você decide mandar um novo produto para o cliente e acaba pagando duas vezes pelo produto.

E tem outro problema bem comum se seu negócio for venda de roupas e acessórios. O cliente pode simplesmente querer devolver o produto por não estar na cor que ele imaginava, na foto parecia um vermelho carmim, porém era mais vivo o vermelho e não era o que o cliente esperava. Ele tem sete dias para devolver o produto se mudar de ideia, isso é direito de consumidor. E o empresário vai precisar buscar o produto, conferir se não há danos e depois devolver o dinheiro do cliente. Você sabe quanto custa isso para você?

Então, é como eu disse. Meu primeiro conselho é: Não abra um e-commerce! No entanto, se você acredita que este é o caminho certo para você e não vai seguir este meu conselho, então é preciso que você saiba como se preparar. A única forma de minimizar seus riscos de negócio é elaborando um plano de negócios realmente bom, que prevê todos os cenários e contabiliza todos os custos diretos, indiretos, os custos previstos e  os que podem ocorrer no meio do caminho.

O seu planejamento precisa também analisar os riscos de insucesso, por isso, lembre-se de escolher pessoas com experiência neste mercado. Cada tipo de e-commerce tem sua própria característica. Por exemplo, se o seu e-commerce for da área de saúde, você terá uma série de restrições para anunciar. A mesma coisa se for um e-commerce de produtos alcoólicos. E assim por diante, cada área de negócio possui questões inerentes a eles, que precisam ser analisadas. O bom planejamento no e-commerce é a única forma de sucesso. Vale cada centavo investido.

 

*Por Cláudio Coelho, CEO da BEST – Marketing de Performance

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